Jazz do coração
perdendo a mão
Outra vez o anjo maldito dos pixels b&w. Ela ainda muito sutil. Nem cabe. Sequestro de fulano à meia luz. Um fuzuê. Nenhuma brincadeira. E cada qual constrangido qual fosse. Já venho humildemente confessar a dose indevida do meu remédio. Olha, Doutor, sinto dores agudas no abdômen. Um dia ele, movido por não sei qual força dialética garrou dizer aquilo. Agora anota, sim, filhinha? O único jeito é isso aí e pilates. De última hora? Viu que já desaprendi a me regular? Cada cena, por mim… A bonitinha tem meu número, eu sei e sou alfabetizada. Veja bem... É o tipo de coisa que se decora. Daí sou eu e minha rígida etiqueta. Preciso ir ao mercado e lavar roupa. E daí. E agora, Hilda Hilst? Onde vai a mulher? É verdade que para além de tudo estou com febre. E poderia dizer a ela assim oi amor estou com uma febre do cão. Ou pedir à mamãe que cuide de mim. Mas é tudo problema muito meu. Naquela época eu me arranjava num afluente afilhado de Cecília pra fumar um cigarro. As desculpas todas esfarrapadas desde meu atribulamento com Cecília. Via de mão dupla. Amor estou delirante. E de um jeito ou de outro eu imploro para que levemos numa boa. É saudável, tudo bem. No Butantã tudo tranquilo. E em Santo Amaro tudo certo em Santo Amaro? Me diz você. Hoje não chove, apesar de eu achar que vai garoar. Mamãe tinha toda a razão, sempre fui ótima nisso. Ela dizendo sentida que certas noites são de vigília e fazer o que. Agora nessa reta eu sou como um rockstar e a banda do sonho. Das belezas de se estar vivo nessa descida. Do comboio, das praças, da ligação por engano. Pra você ver que eu ligo um tanto e sem cabimento. Sei sentir a falta de uma mãe. Você diz que é simples que eu escrevo uma historinha e me distraio. Mas nem o sono. Não é fácil assim enganar um corpo atento. Sei que tudo é questão do nome e do medo. Não perderás a mão. Perder a mão? Lacanianíssimo. A castração da escrita, meu mecanismo de tanto controle. Desde o meu coração um apuro se ouve em trote. E pensando a palavra forjo a palavra. Ô se preciso do banho quente. Ô se preciso da mãe ausente. Como sofri no dia de ontem! Como fui dor, como fui mágoa. Adrenalina eating me alive. Eu mecanicamente sabia o que tinha por trás dessa perversão. Te falei. O tempo voando já. A culpa parcialmente dessa merda desse remédio. Você precisa dar um jeito de me explicar o fim da novela. Não agora que estou pra dormir e muito merecidamente. Nem lembro como é que fui cair no sono antes. Com que tipo de pretexto. Sem mais comoventes sobressaltos. Eu lembro do dia em que o menininho se foi. Eu lembro da irmã dele quase famosa. Riquíssimos. Eu queria que uma vez na vida esse jagunço lesse desprevenido a coisa linda que escreveu. E por fim comovido resmungasse em alto e bom som Velhofilhodaputa. As historietas pra boi não dormir mais. Pra esse crime tem pena? E perdão? Uma boa ideia é fingir que é doidinho e continuar no lero lero. Dizer assim isso é all gibberish. Mogli o menino bobo. 21 anos????? Idade de pinga. Em tempo ainda de escrever uns 7 excelentes livros e 2 ruins que é a margem de erro. Sabe você não é mesmo de todo mal. Torturando a essa hora o teclado, tentando extrair à força qual besteira. Eu amarrada à cama tenho quase nenhuma disposição de repensar a ordem das coisas. Tenho um medo descomunal das implicações todas. Quando basta pedir à deus. E pedir a sério, com as gravíssimas reservas. De novo o ventilador. Vim pra casa e me deram o pior travesseiro. Eu devia esperar mais um pouco e pular pro chuveiro. Tortura é ficar passando de colo em colo. Você não sossega. Diga de novo assim não esquenta amor é all gibberish.

